Blogueira de Primeira Viagem
Já faz algum tempo que estou aqui, em frente ao computador, tentando escrever algo que valha a pena. Escrevo algumas linhas, apago. Reescrevo, “reapago”. É meu primeiro blog, meu primeiro post, queria que fosse especial. Queria poder escrever algo que mostrasse aos leitores a que vim.
Na verdade, já tentei, por outras vezes, criar um espaço na world wide web, onde pudesse compartilhar um pouco de mim: textos que escrevo, músicas que me inspiram, dar opiniões, trocar experiências. Não deu muito certo. Faltava-me tempo ou disposição para postar com certa constância. Desisti.
Minha maior incentivadora para a criação de uma página foi minha sobrinha Duda. Ela sabe que gosto de escrever, então por que não deixar que outras pessoas leiam meus pensamentos? Pensamos em chamar o blog de “Gaveta”, numa alusão a escrivaninha onde guardo os textos que escrevo. Mais recentemente, foram minha sobrinha Alê e minha amiga Ana Maria quem demonstraram compartilhar da mesma opinião que Duda.
Decidi chamar o blog de “Saudade de Mim”, numa referência ao que sinto. Sim, ando nostálgica. Pensativa em relação à vida e a meus sonhos. Algumas pessoas tem facilidade em falar de si mesmas, em expor o que sentem; outras, se sentem mais à vontade pondo seus sentimentos no papel (ou, como neste caso, no computador).
Sempre fui tímida... mentira! Não me lembro de ter sido uma criança acanhada. Não sei o que aconteceu no percurso até aqui. Queria ser artista, mas meus pais não levaram isso a sério. Assistia às novelas e tentava reproduzir suas cenas. Gravei canções no “Meu Primeiro Gradiente”. Diminuía o volume da televisão e “dublava” as personagens dos desenhos animados.
Queria ser jornalista. Pegava o jornal do dia e o lia em voz alta, sentada à penteadeira, que se transformava na bancada de um telejornal. Criei até uma revista de celebridades!
Queria ser Veterinária, consequência da minha maior paixão: os animais. Meu primeiro cachorro se chamava Bori, um Pinscher Miniatura dourado. Na realidade, ele era da minha mãe. Já estava velhinho e costumava dizer a ele que, quando crescesse, seria Veterinária e, assim, cuidaria melhor dele; ingenuamente acreditava que poderia fazê-lo viver por muitos e muitos anos. Aos sete anos, perdi meu “aumigo”. Chorei copiosamente minha primeira perda significativa.
No ano seguinte, minha mãe e eu fomos morar em Lambari, cidade situada no sul de Minas Gerais, conhecida por sua água mineral. Meu pai foi dois anos depois, quando se aposentou da antiga TELERJ, hoje OI. Lá permanecemos por cinco anos.
Antes, Lambari era onde passávamos as férias escolares. Adorava aquele lugar e falava tanto nele que me lembro de minha professora do primeiro ano primário, a “Tia” Vera, brincar dizendo que quando eu fosse à Lambari, se esconderia no porta-malas do carro para ir junto comigo.
Saíamos do Rio bem cedo, por volta das cinco da manhã. O Fiat 147 marrom de meu pai subia a serra carregado de bagagens. Meus sobrinhos e eu íamos no banco de trás, fazendo a maior bagunça. Chegávamos à Lambari perto da hora do almoço. Minha mãe preparava um macarrão com salsicha e, saciada a fome, já iniciávamos a brincadeira. Gostava de ir ao Parque Venceslau Braz para andar de bicicleta e brincar na Cidade Mirim. No verão, meu pai armava a piscina de plástico no quintal. Quando meus irmãos mais velhos apareciam por lá, acendíamos a velha churrasqueira de paralelepípedos e fazíamos um churrasco, com direito a molho campanha, salada de maionese, arroz e farofa.
Uma das maiores saudades que tenho quando penso em Lambari é das tardes que passava na casa de nossa vizinha, ouvindo o disco de Elba Ramalho, “Coração Brasileiro”. Seu nome era Tereza, mas todos a chamavam de Dona Nega. Ela e seu marido, Seu Geraldo, eram muito gente boa. E suas filhas, Gorete e Valdete, também. Foi Dona Nega quem, com toda a paciência, me ensinou a tricotar. Cheguei a fazer um cachecol (ou um pedaço dele!). Gostava de ouvir as histórias que contava sobre sua juventude e de como era a Lambari de outrora, enquanto olhávamos a verde paisagem pela janela e saboreávamos um copo com leite, farinha de milho (aquela flocada) e açúcar. Como diz minha mãe, “tempos bons que não voltam mais!”.
Acho que este post está mais que fazendo jus ao nome do blog... Fico por aqui! Depois conto mais! Vamos ver no que vai dar! ;-)



Estou vendo que eu não estava enganada ao te incentivar a escrever! Fico lisonjeada e honrada pela menção do meu nome como sua incentivadora a escrever as primeiras linhas do seu blog. Fico ainda mais admirada de saber (algo que já sabia): você escreve muito bem e chego a acreditar que esse talento é hereditário! :P
ResponderExcluirEscrever é algo que satisfaz não apenas aquele que lê, mas aquele que escreve. Embora nem todo mundo esteja disposto e aberto a falar de si mesmo quando escreve, deixando que a história e personagens se encarreguem disso. Escrever é um exercício de revelar os nossos sentimentos e lembranças que vêm da alma.
É muito bom conhecer um pouco de você e ver que essa nostalgia seja algo que te incentive a manter o blog. Todos nós sentimos falta de quando éramos crianças, a vida nem sempre é fácil e envelhecemos sem nossa própria autorização, mas essa saudade é também um alento, pois lembramos que envelhecemos, mas com a certeza de que nossas histórias são mais importantes e são formadoras de tudo aquilo que nós somos hoje.
Espero ler mais coisas suas e por favor não desista de escrever! Beijos, Duda.